O Centro Cultural FASE traz durante esta semana filmes científicos do Ver Ciência 2009. O evento faz parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia em parceria com o município.
Amanhã é a vez do filme Ciência para a Saúde II:
CORAÇÃO FISICO DE OSTWALD Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) 1942
O episódio exibe uma gota de mercúrio puro e mostra que, na presença de uma solução fraca de ácido sulfúrico e bicromato de potássio, ela pulsa se for tocada por uma agulha de aço. O filme faz uma interessante demonstração de curiosos efeitos eletro-químicos.
O Trabalho do Neurocientista Miguel Nicolélis - parte 1 Série Espaço Aberto C&T
O programa focaliza o médico paulista Miguel Nicolélis, um dos maiores nomes na área da neurociência. Professor titular de Neurobiologia e Engenharia Biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University, nos Estados Unidos, é considerado forte candidato a trazer um Prêmio Nobel para o Brasil. Entre suas pesquisas na área, uma nova cirurgia, a ser realizada em janeiro próximo, que implantará um chip no cérebro para atenuar os tremores e a imobilidade provocada pelo mal de Parkinson. Ao mesmo tempo, vai ajudar a mapear o cérebro para ser desenvolvida a neuroprótese, que permitirá a um tetraplégico caminhar.
MIOCARDIO EM CULTURA
No documentário são focalizadas as pesquisas biofísicas realizadas pelo médico, cientista, ensaísta e diplomata Carlos Chagas Filho. Destaca-se também um estudo sobre potências elétricas do miocárdio embrionário da galinha.
O Trabalho do Neurocientista Miguel Nicolélis - parte 2
O Instituto Internacional de Neurociência de Natal, idealizado por Miguel Nicolélis, tornou o Rio Grande do Norte referência em pesquisa biomédica e desenvolve também um trabalho social inovador em educação de ciências para crianças e assistência de saúde materna. Em Macaíba, no mesmo estado, onde um terço dos habitantes são analfabetos e 40% das crianças são classificadas como indigentes pelo IBGE, Nicolélis criou um centro de pesquisas e uma escola regular e está desenvolvendo um centro esportivo. A idéia de neurocientista é mostrar que é possível produzir ciência de alto nível fora do eixo Rio-São Paulo e, com isso, contribuir para o desenvolvimento social e econômico do Rio Grande do Norte.
A exibição acontece em dois horários: 15h e 17h30.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2009
Petrópolis participa da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia com eventos de 19 a 25 de outubro
A partir de hoje (19), Petrópolis vai estar voltada para as inovações tecnológicas. De 19 a 25 de outubro, ocorre a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, que pela primeira vez terá uma programação unificada na cidade, com coordenação da Prefeitura, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Agricultura, e a participação de sete entidades ligadas ao setor. Palestras, visitas a laboratórios, atividades didáticas, mostras e atrações culturais estão previstas para atrair principalmente os jovens estudantes.A programação será iniciada no dia 19, às 9 horas, no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), com o Caminhão do Museu Exploratório da Unicamp, que receberá estudantes, durante toda a semana, para um desafio de física. As melhores soluções encontradas para as questões serão premiadas no sábado, dia 24, em cerimônia que ocorre às 16 horas. O agendamento para as escolas e interessados em participar da oficina deve ser feito previamente no LNCC. Nos dias 23, 24 e 25, o Palácio de Cristal será tomado por tendas de instituições de ensino, passando por escolas, educação técnica e universidades, onde serão expostos trabalhos de pesquisa e criações dos alunos. “Um dos pilares da economia petropolitana é a tecnologia. Isso se comprova com a instalação de grandes centros de pesquisa, como o LNCC, e empresas do setor de informática, como a própria Microsoft. Esperamos receber um grande público de jovens, pois o objetivo principal desta Semana é integrar os estudantes às novidades da ciência e tecnologia fomentando, assim, o interesse profissional por alguma dessas áreas”, revelou o secretário de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Agricultura, Nelson Sabra.Outro destaque da Semana é o workshop destinado a merendeiras da rede municipal de ensino, realizado através de uma parceria entre a Secretaria de Educação, a Secretaria de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Agricultura e a Universidade Arthur Sá Earp Netto (Fase). Durante a oficina, realizada na Fase, no dia 21 de outubro, às 14 horas, 30 profissionais irão aprender sobre o aproveitamento integral de alimentos e receberão informações sobre como proceder para a reeducação alimentar dos alunos. De acordo com o secretário Nelson Sabrá, o projeto não será realizado somente nesta ocasião. “Vamos dar continuidade a esta oficina, instruindo todas as cerca de 180 merendeiras do município. Este é um trabalho de reciclagem profissional de grande importância para a saúde e bem-estar de nossas crianças”, disse Sabrá.No dia 23, a atração de destaque será o lançamento do Projeto “Petrópolis Live@edu”, uma ferramenta da Microsoft que vai integrar todos os alunos da rede municipal e seus professores na internet, fornecendo uma conta gratuita de e-mail com modernas ferramentas de uso. A implementação desta ferramenta ficará a cargo da Secretaria de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Agricultura e o objetivo é fazer a inclusão digital integral dos alunos da cidade. “Estamos integrando totalmente a educação com a tecnologia. É importante que nossos jovens tenham acesso facilitado às inovações para que no futuro possam se tornar grandes pesquisadores, inventores ou tecnólogos”, declarou o secretário Nelson Sabrá. O Lançamento ocorre no Frei Memória, dia 23, às 14 horas.O ciclo de palestras sobre os avanços científicos e tecnológicos também espera receber um grande público. A partir de terça-feira, profissionais da área de informática irão às escolas falarem da “Introdução a Ciência da Computação”.
As palestras ocorrem no C.E. Pedro II (terça – 16h); no C.E. Rui Barbosa (quarta – 8h, 9h, 19h e 20h); no C.E. Princesa Isabel (quinta – 10h e 19h); C.E. Cardoso Fontes (quinta – 10h, 14h e 19h30); e no C.E. Embaixador José Bonifácio (sexta – 10h, 14h e 19h30).Na Sala Afonso Arinos do Centro de Cultura Raul de Leoni, o público em geral interessado nos avanços das pesquisas em medicina terão a palestra “Biotecnologia e Revolução Tecnológica”, com o professor Dr.Radovan Borojevic. O tema, abordado de forma clara para a compreensão de todo tipo de público, será a manipulação de células tronco, sua importância para a humanidade e os avanços das pesquisas realizadas na cidade de Petrópolis. A palestra será na terça-feira, dia 20, a partir das 19 horas.Para encerrar o evento, a Secretaria de Ciência e Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Agricultura, com patrocínio da Cervejaria Petrópolis, realiza o Chopp Científico, no Palácio de Cristal, no sábado (25), a partir das 20 horas. O evento será uma degustação de cerveja com a palestra de profissionais de diversas áreas, como física, matemática, filosofia, psicologia, entre outras, abordando desde a composição até os efeitos causados por esta bebida. O Chopp Científico será aberto para convidados e um número limitado de convites para o público em geral, que serão disponibilizados meia hora antes do evento, na portaria do Palácio. A abertura do evento será feita com uma apresentação do quarteto de cordas Rabo de Foguete.
A Semana também tem o apoio do Sebrae e do Movimento Petrópolis Tecnópolis, parceria do Laboratório Nacional de Computação Cientifica - LNCC , Instituto Superior de Tecnologia – IST, Centro de Educação Profissional de Tecnologia e Informação – CEPTI, da Federação das Indústria do Estado do Rio de Janeiro Representação Serrana – FIRJAN, do SENAI, da Faculdade Artur de Sá Earp Neto – FASE, da Universidade Católica de Petrópolis – UCP, do Museu Imperial, da Secretaria Estadual de Educação -Coordenadoria Regional Serrana III e da Casa da Ciência da UFRJ.
A programação completa pode ser acessada no site da Prefeitura de Petrópolis: www.petropolis.rj.gov.br.
Saiu na imprensa
O Dia On line
19/10/2009
http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2009/10/fase_usara_notas_do_enem_2008_no_vestibular_2010_40668.html,
Rio - Já estão abertas as inscrições para o vestibular 2010 da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (Fase). As vagas são para os cursos de Administração (Sistemas de Informação, Gestão em Saúde, Marketing), Nutrição e Enfermagem. As provas serão aplicadas em 25 de outubro. Estudantes que prestaram o Enem no ano passado poderão usar as notas no processo seletivo. As inscrições podem ser efetuadas até o dia 23 de outubro, diretamente no campus da Fase (Av. Barão do Rio Branco, 1.003), ou pelo site http://www.fmpfase.edu.br/. Para usar a nota do Enem 2008, basta indicar essa opção no ano da inscrição.
Outros sites que publicaram a notícia:
- Portal Sidney Rezende - http://www.sidneyrezende.com/noticia/60198+faculdade+de+petropolis+aproveita+notas+do+enem+de+2008+para+seu+vestibular
- Planeta Universitário - http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&task=view&id=9520&Itemid=73
19/10/2009
http://odia.terra.com.br/portal/educacao/html/2009/10/fase_usara_notas_do_enem_2008_no_vestibular_2010_40668.html,
Fase usará notas do Enem 2008 no vestibular 2010
Rio - Já estão abertas as inscrições para o vestibular 2010 da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (Fase). As vagas são para os cursos de Administração (Sistemas de Informação, Gestão em Saúde, Marketing), Nutrição e Enfermagem. As provas serão aplicadas em 25 de outubro. Estudantes que prestaram o Enem no ano passado poderão usar as notas no processo seletivo. As inscrições podem ser efetuadas até o dia 23 de outubro, diretamente no campus da Fase (Av. Barão do Rio Branco, 1.003), ou pelo site http://www.fmpfase.edu.br/. Para usar a nota do Enem 2008, basta indicar essa opção no ano da inscrição.
Outros sites que publicaram a notícia:
- Portal Sidney Rezende - http://www.sidneyrezende.com/noticia/60198+faculdade+de+petropolis+aproveita+notas+do+enem+de+2008+para+seu+vestibular
- Planeta Universitário - http://www.planetauniversitario.com/index.php?option=com_content&task=view&id=9520&Itemid=73
terça-feira, 13 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Saiu na imprensa
Site SEMCAD
08/10/09
http://www.semcad.com.br/noticias.asp
Problema pode diminuir padrão do atendimento, de acordo com autores. Especialista afirma que médicos preenchem relatório com cada vez menos informações, e que precarização das relações de trabalho pode ter relação com fenômeno
De acordo com pesquisa publicada na Revista Brasileira de Medicina, em apuração, foram encontradas falhas no preenchimento de prontuários em uma unidade de urgência oftalmológica de serviço universitário, que para os autores “podem causar problemas para o hospital e para o próprio médico, por falta de ressarcimento do serviço prestado, por diminuição do padrão de qualidade de atendimento, pela impossibilidade de defesa em casos de litígio de mau prática e por deficiências no ensino e pesquisa”. O trabalho foi realizado por Regina de S. Carvalho, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Pedagoga especializada em reabilitação para Deficientes Visuais pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FMUSP), e colegas, e foi veiculado na edição de julho de 2009 do periódico.
Conforme explicam os autores, para apuração de dados, foi realizada “uma pesquisa transversal analítica em amostra não probabilística”, onde foram analisados “os preenchimentos de prontuários dos pacientes atendidos no Pronto-Socorro (PS) de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), durante uma semana”. “Foram analisados 584 prontuários médicos dos 589 pacientes que procuraram o PS de Oftalmologia na semana”, acrescentam eles. Os pesquisadores revelam que, desses, “57 (9,8%) não constavam o destino do paciente após exame 16 (2,7%) não tinham o nome do médico que realizou o atendimento e 15 (2,6%) não constavam o CRM do médico que fez o atendimento. Em relação ao diagnóstico, para 37 pacientes (6,3%) constavam somente o CID para 6,0% o diagnóstico estava ilegível. Para 33,4% não houve registro de anamnese, inclusive em casos de trauma”.
Para Paulo Sá, professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis, “O fato é que há muito tempo os profissionais médicos vêm preenchendo o prontuário de forma cada vez mais reduzida de informações”. De acordo com ele, “antigamente, o médico possuía uma vida menos atribulada, e o volume de pacientes a serem atendidos por vez era menor, assim, o tempo para se colher uma boa história e registrar os achados era maior”.
Na opinião de Paulo, “a questão não se resume apenas ao tempo, mas a outros elementos coadjuvantes e igualmente importantes. Tendo em vista o avanço da especialização, o conhecimento ficou fragmentado”. Ele afirma que “os especialistas e os superespecialistas passaram a se ater somente ao problema específico do órgão afetado, registrando o estritamente necessário para justificar o diagnóstico e se proteger de aspectos legais e jurídicos”. Ele argumenta que “essa postura gerou um vício de abordagem. que encontrou ressonância na redução do tempo disponível do profissional. Pouco tempo e pouco registro específico geraram uma equação interessante para o profissional”.
Para o médico, deve-se “apimentar um pouco mais a discussão”, levando em consideração “outro elemento importante neste processo”, que é “o desenvolvimento da tecnologia médica em termos de equipamentos e medicamentos. Se agora eu possuo uma tecnologia que me permite realizar diagnóstico genético de tumores do tamanho da cabeça de um alfinete, por que eu teria que perder horas examinando alguém? Não é mais rápido, certeiro e eficiente pedir logo um exame? Se o exame é que vai estabelecer o diagnóstico, então eu nem preciso escrever no prontuário, apenas anexo a cópia do resultado do exame. Descendo mais fundo, percebemos que a precarização das relações de trabalho do profissional médico acabou gerando uma ‘mercantilização’ da medicina, o que pressionou o processo de trabalho do profissional em direção à alienação. Um profissional alienado, condicionado pela tecnologia e fracionado pelo ensino médico resultou no que estamos assistindo hoje”.
O professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis argumenta que questão do preenchimento do prontuário é algo que afeta “qualquer setor ou unidade de atenção à saúde”. “Esse processo é agravado em unidades de urgência e emergência porque, nesse caso, o tempo é muito curto, e a pressão por atendimento é muito grande”, diz ele, que acrescenta: “além de ter de dar conta de um volume cada vez maior de atendimentos, o profissional se depara com questões de ordem social, que estão muito além do seu potencial resolutivo no campo da emergência”, o que para ele, retarda o ritmo de seu trabalho.
“Para finalizar, mas não para encerrar a discussão, pois aqui apenas apresentei alguns argumentos mais evidentes, eu diria que o médico é resumo de uma sociedade individualista, especializada e nada solidária. Portanto, não podemos esperar dele milagres. Ele se comporta de acordo com o modo segundo o qual a sociedade o educou. Se o médico é egoísta, é porque as bases da sociedade que o educou também são. Não se muda apenas um lado da moeda, o processo é sistêmico. As soluções não podem se reduzir às ações fiscalizatórias e punitivas, pois não estas não conseguirão enfrentar as bases do problema”, conclui Paulo.
08/10/09
http://www.semcad.com.br/noticias.asp
Pesquisa revela falhas em preenchimentos de prontuários
Problema pode diminuir padrão do atendimento, de acordo com autores. Especialista afirma que médicos preenchem relatório com cada vez menos informações, e que precarização das relações de trabalho pode ter relação com fenômeno
De acordo com pesquisa publicada na Revista Brasileira de Medicina, em apuração, foram encontradas falhas no preenchimento de prontuários em uma unidade de urgência oftalmológica de serviço universitário, que para os autores “podem causar problemas para o hospital e para o próprio médico, por falta de ressarcimento do serviço prestado, por diminuição do padrão de qualidade de atendimento, pela impossibilidade de defesa em casos de litígio de mau prática e por deficiências no ensino e pesquisa”. O trabalho foi realizado por Regina de S. Carvalho, doutora em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Pedagoga especializada em reabilitação para Deficientes Visuais pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FMUSP), e colegas, e foi veiculado na edição de julho de 2009 do periódico.
Conforme explicam os autores, para apuração de dados, foi realizada “uma pesquisa transversal analítica em amostra não probabilística”, onde foram analisados “os preenchimentos de prontuários dos pacientes atendidos no Pronto-Socorro (PS) de Oftalmologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), durante uma semana”. “Foram analisados 584 prontuários médicos dos 589 pacientes que procuraram o PS de Oftalmologia na semana”, acrescentam eles. Os pesquisadores revelam que, desses, “57 (9,8%) não constavam o destino do paciente após exame 16 (2,7%) não tinham o nome do médico que realizou o atendimento e 15 (2,6%) não constavam o CRM do médico que fez o atendimento. Em relação ao diagnóstico, para 37 pacientes (6,3%) constavam somente o CID para 6,0% o diagnóstico estava ilegível. Para 33,4% não houve registro de anamnese, inclusive em casos de trauma”.
Para Paulo Sá, professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis, “O fato é que há muito tempo os profissionais médicos vêm preenchendo o prontuário de forma cada vez mais reduzida de informações”. De acordo com ele, “antigamente, o médico possuía uma vida menos atribulada, e o volume de pacientes a serem atendidos por vez era menor, assim, o tempo para se colher uma boa história e registrar os achados era maior”.
Na opinião de Paulo, “a questão não se resume apenas ao tempo, mas a outros elementos coadjuvantes e igualmente importantes. Tendo em vista o avanço da especialização, o conhecimento ficou fragmentado”. Ele afirma que “os especialistas e os superespecialistas passaram a se ater somente ao problema específico do órgão afetado, registrando o estritamente necessário para justificar o diagnóstico e se proteger de aspectos legais e jurídicos”. Ele argumenta que “essa postura gerou um vício de abordagem. que encontrou ressonância na redução do tempo disponível do profissional. Pouco tempo e pouco registro específico geraram uma equação interessante para o profissional”.
Para o médico, deve-se “apimentar um pouco mais a discussão”, levando em consideração “outro elemento importante neste processo”, que é “o desenvolvimento da tecnologia médica em termos de equipamentos e medicamentos. Se agora eu possuo uma tecnologia que me permite realizar diagnóstico genético de tumores do tamanho da cabeça de um alfinete, por que eu teria que perder horas examinando alguém? Não é mais rápido, certeiro e eficiente pedir logo um exame? Se o exame é que vai estabelecer o diagnóstico, então eu nem preciso escrever no prontuário, apenas anexo a cópia do resultado do exame. Descendo mais fundo, percebemos que a precarização das relações de trabalho do profissional médico acabou gerando uma ‘mercantilização’ da medicina, o que pressionou o processo de trabalho do profissional em direção à alienação. Um profissional alienado, condicionado pela tecnologia e fracionado pelo ensino médico resultou no que estamos assistindo hoje”.
O professor da Faculdade de Medicina de Petrópolis argumenta que questão do preenchimento do prontuário é algo que afeta “qualquer setor ou unidade de atenção à saúde”. “Esse processo é agravado em unidades de urgência e emergência porque, nesse caso, o tempo é muito curto, e a pressão por atendimento é muito grande”, diz ele, que acrescenta: “além de ter de dar conta de um volume cada vez maior de atendimentos, o profissional se depara com questões de ordem social, que estão muito além do seu potencial resolutivo no campo da emergência”, o que para ele, retarda o ritmo de seu trabalho.
“Para finalizar, mas não para encerrar a discussão, pois aqui apenas apresentei alguns argumentos mais evidentes, eu diria que o médico é resumo de uma sociedade individualista, especializada e nada solidária. Portanto, não podemos esperar dele milagres. Ele se comporta de acordo com o modo segundo o qual a sociedade o educou. Se o médico é egoísta, é porque as bases da sociedade que o educou também são. Não se muda apenas um lado da moeda, o processo é sistêmico. As soluções não podem se reduzir às ações fiscalizatórias e punitivas, pois não estas não conseguirão enfrentar as bases do problema”, conclui Paulo.
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