terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Professor Emérito


Na noite de ontem(27), o médico Guillermo Lopez Lopez recebeu o título de Professor Emérito da Faculdade de Medicina de Petrópolis/Faculdade Arthur Sá Earp Neto, em solenidade realizada no Campus da faculdade. O professor, que ocupa a titularidade da cadeira de Clínica Médica e já foi diretor da FMP, recebeu homenagens de colegas de profissão e ex-alunos que conviveram com ele nos mais de 44 anos de serviços prestados à FMP/Fase.

O coordenador geral de Ensino, Abílio Aranha, o diretor da FMP, Paulo Cesar Guimarães, a supervisora geral da FMP/Fase, o professor homenageado, Guillermo Lopez Lopez, e o coordenador de Projetos e Extensão, Ricardo Tammela.

Nesse período, Guillermo desempenhou importantes missões, as quais merecem destaque a transformação do Hospital Alcides Carneiro em hospital geral, organizando os serviços de Maternidade e Pediatra e readequando os serviços de cirurgia, e também foi responsável pela organização do Ambulatório Escola da faculdade, em Cascatinha, e de suas Unidades de Saúde da Família.


 










A solenidade de outorga do título de Professor Emérito a Guillermo Lopez Lopez contou com a presença do reitor da UCP, Pe. Pedro Paulo de Carvalho Rosa.



Apresentação do Coral Dó-Ré-Mi.


A Residência Médica e a atenção à saúde no município

Miguel Koury Filho, coordenador dos Programas de Residência Médica da FMP/Fase.

A Residência Médica é considerada, hoje, como a melhor forma de especialização do médico após sua graduação. Surgida no Brasil, no final da década de 1970, a Residência Médica é um curso de pós-graduação que se caracteriza essencialmente pelo treinamento em serviço, ou seja, o médico aprende enquanto atua sob supervisão de médicos mais experientes, porém dentro de um ambiente de academicismo, aproximando a academia e a assistência. Tem como essência a imersão dos residentes em serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), capacitando-os para o trabalho nestes serviços ao final de seus cursos.

De acordo com pesquisa feita pelo Observatório de Recursos Humanos da Secretaria Estadual de Saúde do Estado de São Paulo, a Residência Médica é o principal fator de fixação de um médico em um município, com média de 80% de permanência do residente no local onde realiza sua pós-graduação. Além disso, o médico que realiza sua residência num serviço do SUS, ao se empenhar para a obtenção do título de especialista, ajuda a desenvolver o sistema de saúde pública e a qualidade de vida da população que atende.

Após a curta existência de um único Programa de Infectologia, em Petrópolis, na década de 1980, foi no início dos anos 2000 que os Programas de Residência Médica voltaram com toda força em uma parceria entre a Faculdade de Medicina de Petrópolis, a Secretaria Municipal de Saúde e o Hospital de Ensino Alcides Carneiro. Inicialmente nas áreas de Clínica Médica, Pediatria e Ginecologia e Obstetrícia, logo foram agregados os programas de Cirurgia Geral e Medicina de Família e Comunidade e, com o advento do programa de incentivo à Residência Médica, do Ministério da Saúde, o número de programas e vagas foi aumentando. Hoje, além dos mencionados, conta-se ainda com programas nas áreas de Neonatologia, Anestesiologia, Endoscopia e Radiologia e Diagnóstico por Imagem, além do programa de Urologia, com início previsto para 2020. Desde 2014, a cidade conta também com os programas de Residência Médica do Hospital Santa Teresa, cujo processo seletivo ocorrerá este ano em parceria com a Faculdade de Medicina de Petrópolis/Fase, para os programas de Cardiologia, Cirurgia Geral, Ortopedia e Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

A cada ano, são quase 50 novos médicos atuando na rede SUS durante sua capacitação, auxiliando no atendimento à população do município e que, ao final de seus cursos, estarão especializados, treinados e capacitados para seguir na atenção à saúde dos usuários. Com isso, amplia-se a quantidade e se assegura o avanço na qualidade do atendimento à população.

Hiperidrose

Um estudo multicêntrico envolvendo a FMP/Fase e outras duas instituições de ensino superior analisou a prevalência de hiperidrose (transpiração excessiva) nos estudantes de Medicina do estado do Rio de Janeiro. O trabalho, publicado recentemente na revista científica Plos One, de reconhecimento internacional, identificou que a prevalência de HP entre os estudantes, tanto do sexo feminino quanto masculino, foi de 20,56%, apresentando-se de forma predominante nas axilas, palmas das mãos e plantas dos pés. Outras características identificadas foram o forte histórico familiar associado à doença, com incidência antes dos 18 anos de idade e algum grau de comprometimento da qualidade de vida. O estudo é considerado, hoje, um dos 10 maiores do mundo, em termos de número de entrevistados.

Na foto, o médico Pedro Guimarães Rocha Lima, professor licenciado da FMP/Fase, e a professora Maria Ribeiro Santos Morard, chefe da Divisão de Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle/Unirio, integrantes do projeto.

A Atenção Primária precisa de você!


Julia Barban Morelli
Médica de Família e Comunidade na USF Boa Vista, da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FMP/Fase), e coordenadora do Grupo de Trabalho de Ensino da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. 


A Atenção Primária à Saúde é o locus organizador do sistema de saúde, onde os princípios de longitudinalidade e integralidade do cuidado são colocados em prática de forma real e imprescindível. Onde também a noção de "porta de entrada" com acesso fácil dos pacientes aos profissionais de saúde faz com que a prática seja rica por um lado e desafiadora por outro, na medida em que os problemas de saúde se apresentam de forma indiferenciada em uma população muitas vezes carente de meios socioeconômicos para o pleno exercício do autocuidado. Os profissionais que aceitam esse desafio não se pegam questionando a utilidade de sua ação, pois são intensamente necessários para as famílias sob seus cuidados e para o território que atendem.

A residência de Medicina de Família e Comunidade é a residência que melhor prepara para o atendimento de qualquer pessoa, em qualquer fase da vida. É também a residência que coloca na maleta de instrumentos do(a) médico(a) habilidades de comunicação, de raciocínio e de ação em quadros agudos e crônicos. A intervenção do médico de família vai além de pedir exame e passar remédio: trabalha em equipe para agir nos determinantes das doenças, na comunidade, no território, que é o lugar real onde as coisas acontecem. E é onde os pacientes apresentam os sintomas pela primeira vez, fazendo com que o profissional da atenção primária seja aquele responsável pela investigação clínica, seguimento próximo e muitas vezes a referência central do paciente em seus cuidados de saúde. É também a residência que fornece as ferramentas para cuidar das pessoas com qualidade no seu contexto familiar, entendendo a família como recurso de tratamento dos pacientes.

A residência de Medicina de Família e Comunidade propicia oportunidade de buscar superar dificuldades específicas na formação do(a) médico(a), com estágios optativos no Brasil ou exterior. Na Faculdade de Medicina de Petrópolis/Fase, os cenários de prática incluem ambulatórios (todos com preceptoria docente), hospital e maternidade de ensino, além de equipes docente-assistenciais de saúde da família com mais de 15 anos de experiência na formação de médicos(as). Todos os preceptores do Programa de Residência de Medicina de Família e Comunidade são especialistas na área e possuem formação de curso de preceptoria, o que leva à consistência do ensino, com conteúdo teórico aprofundado e prática assistencial reflexiva.

Além disso tudo, a residência de Medicina de Família e Comunidade pontua para o acesso a outras residências (igual ao extinto PROVAB). Em Petrópolis, a atenção primária é desenvolvida sem pressa, com capacidade de ofertar cuidado de qualidade aos cerca de 2.800 pacientes de cada equipe, dentro de um sistema de saúde municipal bem estruturado.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Academia que faz pensar


Maria Isabel de Sá Earp de Resende Chaves
Supervisora Geral da FMP/Fase


As pesquisas científicas na área da saúde avançam, ao mesmo tempo em que seguimos convivendo com problemas tão arraigados como a proliferação do mosquito Aedes aegypti. O que podemos mudar? Como tirar o melhor proveito da informação e da tecnologia sem descuidar da humanização no atendimento? Questões como essas estarão em debate no simpósio “A Academia na Serra II”, em Petrópolis, nos dias 8 e 9 de novembro.  

É com orgulho que a Faculdade de Medicina de Petrópolis/Fase receberá a segunda edição do encontro, organizado mais uma vez em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e a Academia Nacional de Medicina. A primeira ocorreu em 2017, dentro das celebrações pelos 50 anos da criação de nossa faculdade. A ideia começou e segue sendo construída com ex-alunos ilustres e dedicados ao ofício.

Ao promover “A Academia na Serra” estamos compartilhando com essas instituições não só os nossos projetos comuns. Também mostramos aos alunos que a verdadeira ciência e a medicina se fazem com a articulação entre o conhecimento científico, as técnicas de abordagem ao paciente e a reflexão dos determinantes de saúde e da doença, que são sociais. Tudo através da efetiva parceria com o SUS, que permite o acesso da população àquilo que é mais importante para os futuros profissionais, no exercício da sua profissão.

Temos o prazer de, nesses dias, receber os mais renomados palestrantes, para apontar para os jovens e os nossos visitantes quais são as mais novas tendências na área do saber médico. Tanto na saúde coletiva, como no estudo das epidemias, nas novas técnicas de ensino e nas abordagens cirúrgicas, a partir das inovações tecnológicas.

O seminário é construído em conjunto por várias cabeças, fruto de uma mesma visão, com um comitê científico das instituições parceiras e da faculdade trabalhando junto, sempre a serviço da população, para tentar reduzir as diferenças sociais através do acesso à saúde. Buscar saídas é a meta. Porque fazer pensar – e repensar – é uma das nossas missões.