terça-feira, 19 de junho de 2018

Medicina regenerativa atrai interesse de alunos ainda na graduação


Se antes parecia pertencer a um futuro distante, a medicina regenerativa hoje é estudada com interesse pelos futuros profissionais de saúde. Conceitos básicos da tecnologia de manipulação de células aplicadas em terapias, aspectos da biologia celular, controles de qualidade de produção necessários à segurança do paciente e às exigências legais para a infraestrutura laboratorial, incluindo as normas das boas práticas de fabricação e de biossegurança, são pontos de estudos. Na Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase), cresce o interesse em torno da disciplina “Medicina regenerativa: manipulação in vitro de células para aplicações clínicas”.

“O estudo provavelmente fará parte da rotina dos alunos de Medicina, Enfermagem, Odontologia e demais áreas de saúde, na medida em que as evidências científicas e os aspectos regulatórios fundamentarem e possibilitarem a utilização de células. Caberá ao futuro profissional entender a fundamentação técnica científica para poder indicar ou acompanhar um tratamento com a medicina regenerativa. Ela pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes e diminuir o custo social da medicina, particularmente nas degenerações associadas ao envelhecimento”, diz Esther Takamori, professora da disciplina eletiva da FMP/Fase.

Com 12 alunos de Enfermagem e Medicina, a turma está concluindo o semestre. As aulas práticas acontecem nos laboratórios do Centro de Medicina Regenerativa da faculdade (CMR), coordenado pelo pesquisador Radovan Borojevic. Esther Takamori e Rosana Bizon Vieira Carias são professoras e pesquisadoras do CMR. O material estudado pelos alunos é preparado especificamente para o ensino, e não é utilizado nas pesquisas médicas que ocorrem no CMR. O objetivo é fazer com que os alunos tenham esse primeiro contato com a pesquisa em medicina regenerativa, e o interesse despertado para a área.

“No laboratório, podemos ver como a manipulação in vitro é um processo delicado, que precisa de cautela e muito conhecimento. Quando estamos ali, nos sentimos parte de um trabalho fantástico, vemos o processo científico de uma forma diferente e podemos participar dele. O contato com a experiência foi esclarecedor, ao abrir nosso campo de visão para uma área da medicina pouco divulgada e que já apresenta um avanço grande. Não sei se no futuro trabalharei em um laboratório, mas com certeza quero aprender mais sobre o assunto e incentivarei os meus futuros pacientes a usufruírem desse ramo da medicina, que se mostra eficiente e promissor”, completa a estudante de Medicina, Danielle Muniz.

Ela e os colegas acompanham situações-problema, para identificar a melhor forma de tratamento a partir do caso clínico apresentado, com base na aplicação de terapia celular e bioengenharia. Antes, viram como se portar dentro do laboratório e a aplicar conceitos básicos de biossegurança. Nada de acessórios, como bijuterias, e calçados abertos. Para entrar na área de manipulação celular, é preciso vestir jaleco, luvas, protetores de calçados, touca e máscara, além de seguir dez passos de higienização das mãos. Todo o cuidado é para evitar a contaminação das células e das pessoas que as manipulam, e para aprender como manusear e descartar os materiais biológicos. O trabalho é minucioso: ao abrir e fechar cada garrafinha, por exemplo, não se pode encostar, mesmo com luva, o dedo nos bocais.

“As aulas são muito boas. A teoria é dada sempre de modo a esclarecer como funciona a célula e, através disso, explicar o funcionamento do laboratório e o porquê das etapas e protocolos a serem seguidos durante a manipulação celular. Então tudo está interligado, e faz bastante sentido, o que desperta o interesse pela disciplina”, acrescenta a estudante Danielle Muniz.

A professora Rosana Carias explica que nas aulas teóricas há a fundamentação básica das tecnologias de manipulação e cultivo de células humanas in vitro, aplicadas tanto nos estudos de biologia e patologia celular humana, como no preparo de produtos de terapias celulares avançadas: “Também são abordadas as exigências legais para a captação de células e tecidos humanos para uso científico ou clínico, e para a infraestrutura laboratorial necessária na manipulação de células destinadas à terapia ou à pesquisa clínica.”
 

“A medicina regenerativa não é coisa do futuro. Estamos vivendo isso. O potencial terapêutico já é amplo nas áreas de degeneração ou trauma, no sistema musculoesquelético, incluindo a medicina da prática dos esportes, e nos tecidos de recobrimento. Os resultados dependerão da extensão, tamanho e localização das lesões, da idade do paciente, doenças pré-existentes e condição sistêmica. A medicina regenerativa é individual. A indicação da terapia e o seu sucesso dependem amplamente da formação e experiência do médico e da qualidade de equipe. Vários estudos clínicos, obedecendo os critérios de inclusão do paciente, já têm sido realizados na regeneração de tecidos como a cartilagem, osso e pele, com resultados significantemente melhores do que aqueles obtidos com as terapias convencionais”, ressalta Esther Takamori.
 
As professoras dizem que as possibilidades clínicas para o uso da terapia em outras áreas do corpo avançam, junto com as pesquisas. Recentemente, o grupo publicou um artigo científico sobre o tratamento de reabsorções na articulação temporomandibular, associadas a deformidades dentofaciais, com a utilização de células obtidas da cartilagem do septo nasal, junto com Karla Menezes e Ricardo Tesch, também professores da FMP/Fase.
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Departamento de Comunicação Faculdade Arthur Sá Earp Neto e Faculdade de Medicina de Petrópolis