quinta-feira, 14 de junho de 2018

Olho na bola e na saúde


Paulo K. de Sá 
Médico e coordenador da Faculdade de Medicina de Petrópolis (FMP/Fase)​​

Em tempos de Copa do Mundo de Futebol, pensamos só na competição e se o Brasil será ou não campeão novamente. Sem dúvida, como autênticos brasileiros, torcemos, ficamos ansiosos e, mesmo em um momento político pessimista, ainda vestimos a camisa verde e amarela nesse período, em especial.

Pessoas se reúnem em torno da televisão, acompanhadas de bebida e algumas comidinhas para comemorar, ganhando ou perdendo. O jogo muitas vezes é apenas uma desculpa para beber “todas” e comer o que quiser. Observo os jovens se deslocando para os bares para assistirem sentados e bebericando alguma coisa, às vezes, muitas coisas. Alegria e ansiedade no ar que transpira euforia, tristeza, crítica e manifestações mais fervorosas quanto à capacidade técnica de jogadores e técnicos.

Em meio a esse clima, muitos acidentes acontecem, pessoas morrem, sofrem danos devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas com a desculpa de que é tempo de Copa e tudo passa a ser permitido.

Seja para comemorar a vitória ou amargar a derrota, os meios de celebração não são inocentes e, muito menos, inofensivos. Desentendimentos geram agressividades que se desdobram em agressões e danos mais graves. Tudo em clima de Copa.

Por outro lado, superatletas que se sacrificam pelas seleções de seus países serviriam de exemplo para o estímulo ao esporte, se não fosse pelo desvio de rota provocado por muitas academias de ginástica e preparadores físicos que, em nome da estética e do fisiculturismo, incentivam a utilização de substâncias para aumentar o volume e força muscular, comprometendo o funcionamento natural do corpo. Um mundo artificial é criado utilizando o esporte como fachada e um grande negócio se movimenta a passos largos. Aliás, dois grandes negócios: a saúde artificial e forçada e a indústria da doença.

A atividade física é uma das estratégias mais importantes para se estimular a saúde de todos os indivíduos e, não necessariamente, a prática de algum esporte. Hoje, muitas possibilidades existem, desde uma caminhada até o alpinismo. Algumas atividades se transformam em modalidades olímpicas e outras não, mas isso não é o mais importante. O que vale, realmente, é estimular a movimentação do corpo e, principalmente, o bom encontro com as pessoas no exercício dessas atividades proporcionando saúde física, mental e espiritual integradas.

Enfim, que venha a Copa e, com ela, a alegria, a cordialidade, o espírito esportivo, a humildade e o bom exemplo e parcimônia na comemoração. Porque estamos na vida para a celebrarmos e não para acabar com ela ou desafiá-la.

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Departamento de Comunicação Faculdade Arthur Sá Earp Neto e Faculdade de Medicina de Petrópolis